Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-graduação em Sociologia Política
DISCIPLINA: CSO 3711 - TE: Trajetórias Profissionais e Entrevista Biográfica - (4 créditos)
PROFESSORA: Drª. Bernardete Wrublevski Aued
E-mail: aued@cfh.ufsc.br
CURSO: Mestrado em Sociologia Política (PPGSP-CFH-UFSC)
SEMESTRE: 2001.1

PROGRAMA

Ementa:

Analisar aspectos principais das mudanças profissionais na atualidade; o paradoxo atual das sociedades fundamentadas no trabalho; as profissões e as ocupações; a crise de identidades profissionais; identidade pessoal e coletiva; o recurso metodológico da entrevista biográfica e a análise de trajetórias profissionais.

Objetivo

Geral:

O curso propõe uma revisão aprofundada nos principais enfoques sobre emprego/desemprego. Na primeira parte pretendemos fazer uma revisão da teoria do processo de trabalho, com ênfase nos elementos metodológicos de caracterização do trabalho. A despeito de considerarmos as diversas formulações sobre o trabalho e o emprego, o curso concentrar-se-á, basicamente, no campo daqueles autores que têm procurado refletir sociologicamente a relação emprego/desemprego.

Na segunda parte, estudaremos autores que analisam a conexão profissão e trabalho através do recurso metodológico de entrevista biográfica. O problema central será explicar as trajetórias profissionais e ocupacionais numa perspectiva sociológica evidenciando tanto a transição social como a instituição/destituição das profissões. Como explicar a des-profissionalização ou mesmo a destruição da classe operária, como por exemplo, a que ocorre no ABC Paulista e na África do Sul? Nossas hipóteses sugerem basicamente explicações acerca das relações de transformações na materialidade.

 

Específicos:

Avaliação

O curso terá um formato misto, (com aulas expositivas introduzindo ou concluindo problemáticas) e de seminários. Cada aluno deverá realizar uma resenha crítica de um livro que tenha interface com os temas analisados no programa; além disso elaborar a análise de uma entrevista biográfica privilegiando trajetória profissional que deverá ser apresentada para a professora e demais colegas.

CONTEúDO PROGRAMáTICO

  1. O desemprego como problema sociológico
  2. Pereira, V.M.C. Quem são os desempregados para a Sociologia? In: Natureza, História e Cultura: repensando o social. Porto Alegre. UFRGS.1993.

    Offe, C. Trabalho: categoria chave da sociologia? In: Revista trabalho e Sociedade. Rio de Janeiro: Tempo brasileiro. 1989. vol.1

    Antunes, R. Adeus ao trabalho? São Paulo . Brasiliense. 1995.

  3. Paradoxo das sociedades baseadas no trabalho
  4. Antunes, R. Os sentidos do trabalho. São Paulo: Boitempo,2000.

  5. Sociedades sem trabalho?
  6. Marx, Karl. O capítulo inédito. São Paulo: Ciências Humanas, 1978.

    Lafargue, P. O direito à preguiça. São Paulo: Kairós, 1980.

  7. A invenção do trabalho.
  8. Castel, R. Metamorfoses da questão social. p.95-209.

    Hobsbawm, E. Pessoas extraordinárias. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999. cap. 2, 4, 5 e 8.

  9. Processo de trabalho capitalista
  10. Marx, Karl. O processo de trabalho e processo de produzir mais valia. In. O capital. Liv. 1, Vol., 1, cap. V e VI. Rio de Janeiro. Civilização, 1968.

  11. Do trabalho concreto ao trabalho abstrato.
  12. Marx, K. A cooperação. In: O capital. Liv. 1, Vol. 1, cap. XI. Rio de Janeiro. Civilização, 1968.

    ______. Divisão do trabalho e manufatura. O capital. Liv. 1, Vol. 1, cap. XII. Rio de Janeiro: Civilização, 1968.

  13. Características da jornada de trabalho (durabilidade e produtividade).
  14. Marx, K. A jornada de trabalho. O capital. Liv.1, vol.1, cap. VIII. Rio de Janeiro: Civilização, 1968.

  15. A lei geral da acumulação capitalista
  16. Marx, K. A lei geral da acumulação capitalista. O capital. Liv. 1, vol. 1, cap. XXIII. Rio de Janeiro:. Civilização, 1968.

  17. A discriminação racial e de sexo no trabalho
  18. Lobo, E. A classe operária tem dois sexos. São Paulo: Brasiliense. 1991.

    ____. O gênero da representação: movimento de mulheres e representação política no Brasil (1980-1990). In: Revista Brasileira de Ciências Sociais. Nº. 17 1991.

    Hobsbawm, E. Pessoas extraordinárias. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999. cap. 7 e 17

  19. Uma revolução tecnológica?
  20. Marcuse, H. A ideologia da sociedade industrial. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.

    Cunha, L. A. O ensino de ofícios nos primórdios da industrialização. Brasília: Unesp, 2000. cap. 1 e 2.

  21. Mudanças profissionais
  22. Cunha, L. A. O ensino profissional na irradiação do industrialismo. Brasília: Unesp, 2000. cap. 6.

  23. As crises de identidade profissional
  24. Dubar, C. La crise des identités. Paris: Puf, 2000 cap. 1

  25. Identidade pessoal e coletiva
  26. Dubar, C. La crise des identités. Paris: Puf, 2000 cap. 3

  27. Mudanças de identidades no trabalho
  28. Aued, B. Histórias de profissões em Santa Catarina. Florianópolis: Palotti, 1999.

  29. Avaliação

Seminário sobre um tema a ser elencado, de comum acordo com os alunos.

 

Bibliografia COMPLEMENTAR

Arrigui, G. A ilusão do desenvolvimentismo. Petrópolis: Vozes, 1996.

Antunes, R. A rebeldia do trabalho. Campinas. Unicamp,1986.

______. A crise e os sindicatos. Teoria e debate. Nº. 20, 1993.

Aznar, G. Trabalhar menos para trabalharem todos. São Paulo: Página Aberta, 1995.

Bidet, J. (org.) La crise du travail. Paris: Presses Universitaires de France, 1995.

Braverman, H. Trabalho e capital monopolista. São Paulo: Guanabara, 1974.

Blackburn, R. (org.). Depois da queda. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

Bresciani, L. P. Tecnologia, Organização do trabalho e ação sindical: da resistência à contratação. São Paulo: Escola Politécnica, 1991.

Bresciani, S. Introdução. In: Ensaios de Ego-história. Rio de Janeiro: ed. 70 LTDA, 1987.

Bridges, W. Um mundo sem empregos. São Paulo: Makron, 1996.

Brunhoff, S. de. A hora do mercado. São Paulo: Edusp, 1991.

Bueno, R. e outros. Capital e trabalho. Rio Janeiro: Rio Fundo Editora, 1991.

Capistrano, D. Adeus Ao Trabalho? In. Revista Atenção. Página Aberta. Outubro de 1995.

Castro, N. E Guimarães, A. Trabalho, sindicalismo e reconversão industrial no Brasil nos anos 90. SP. In: Revista Lua Nova. Nº. 22. CEDEC, 1990.

_____. Desigualdades raciais no mercado e nos locais de trabalho. In: Revista Estudos Afro Asiáticos Nº 24. Rj, 1993.

Comin, A. e outros. O mundo do trabalho. São Paulo: Escritta, 1994.

Coriat, B. L´atelier et le robot. Paris: Bourgois, 1990.

Demazière, D. La sociologie du chômage. Paris: La Découverte, 1995.

_______. Le chômage en crise? La négotiation des identités des chômeurs de longue durée. Lille: Presses Univ. 1992.

_______. Le chômage de longue durée. Paris: Presses Universitaires, 1995.

DEMAZIERE, D. et PIGNONI, M. T. Chômeurs: du silence à la révolte. Paris: Hachette, 1998.

DEMAZIERE, D., HELLEBOID, M. et MONDOLONI, J. Longue Durée. Vivre en chômage. Paris: Syros, 1994.

DUBAR, C. La socialisation. Paris: Armand Colin, 1996. 2ª ed.

______. La formation professionnelle continue. Paris: La découverte, 1996. 3ª ed.

DUBAR et TRIPIER. Sociologie des professions. Paris :Armand Colin, 1998.

Denis, H.. História geral do pensamento econômico. Lisboa: Horizontes, 1974.

FreyssineT, J. Le mouvement Social. In: Revista Crítica marxista n.1 vol. 1 São Paulo: Brasiliense, 1994.

Friedmann, G. Tendências de hoje, perspectivas de amanhã. In. Tratado de sociologia do trabalho. São Paulo: Cultrix, 1973.

Gomes, A. C. A invenção do trabalhismo. São Paulo: Vértice, 1988.

Gorz, A. Adeus ao proletariado. Rio Janeiro: Forense, 1987.

Hesíodo. Os trabalhos e os dias. São Paulo: Iluminuras, Projeto e Produção Editoriais, 1991.

Hobsbawm, E. Mundos do trabalho. Rio Janeiro: Paz e Terra, 1987.

_______. A era dos extremos. São Paulo: Brasiliense, 1995.

Hirata, H. E outros. Alternativas sueca, italiana e japonesa ao paradigma fordista:elementos para uma discussão sobre o caso brasileiro. R.S. (org.) Gestão da qualidade, tecnologia e participação. Brasília. Cadernos Codeplan. nº. 1. 1992.

Harvey, D. A condição pós moderna. São Paulo: Loyola, 1989.

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Keynes, J. Teoria geral do emprego, do juro e do dinheiro. São Paulo: Abril, 1983.

Klein, L. O professor decreta o fim da escola. In. Revista Intermeio. Vol. 1 nº.2. Campo Grande. Ed. UFMS, 1995.

Kurz, R. O colapso da modernização. São Paulo: Paz e Terra, 1993.

Lampedusa, G. O Leopardo. São Paulo: Abril, 1974.

Lipietz, A. Audácia. Uma alternativa para o século 21. São Paulo: Nobel, 1991.

Leite, M. de P. Novas tecnologias e subjetividade operária. São Paulo: Escrita, 1994

Lopes, J. Sociedade Industrial No Brasil. Rio Janeiro: Difel, 1965.

Maar, W.L. El fin de la Sociedad Del Trabajo o Emancipación Crítica del Trabajo? In: Cuadernos Del Sur. Buenos Aires. Junho De 1995. Nº 19.

Marcuse, H. A ideologia da sociedade industrial. Rio De Janeiro: Zahar, 1967.

_________. Líneas fundamentales de la crítica de la economia política.(Grundrisse). Barcelona: Grijalbo, 1977.

Mantoux, P. A Revolução Industrial Do Século XVIII. São Paulo: Hucitec, S.D.

Marques, R. M. Automação Micro-Eletrônica E O Trabalho. São Paulo: Binal, S.D.

Mercado De Trabalho Em Santa Catarina. In: Estudo Especial Dieese. Florianópolis, Junho De 1996.

Nagels, J. Trabalho Coletivo E Trabalho Produtivo. Lisboa: Editora Prelo, 1975.

Naville, P. Hacia El Automatismo Social? Problemas Del Trabajo Y De La Automación. México. Fondo De Cultura, 1985.

Neder, R. T. Automação E Movimento Sindical No Brasil. São Paulo: Hucitec, 1988.

Negt, O. Dialética, História E Movimento. São Paulo: Instituto Goethe, 1989.

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Paoli, M. C .E Outros. Pensando A Classe Operária: Os Trabalhadores Sujeitos Ao Imaginário Acadêmico. In. Revista Brasileira De História. Sp. N.6.

Pereira, L. Trabalho E Desenvolvimento No Brasil. São Paulo: Difel, 1965.

Pereira, L. C. E Outros. O Colapso Da Modernidade. In: Novos Estudos Cebrap. No 36 Julho, L993.

Perrot, M. Os Excluídos. Rio De Janeiro: Paz E Terra, 1988.

__________.O Espírito Da Época. In: Ensaios De Ego-História. Rio De Janeiro; Ed. 70 Ltda, 1987.

Reestruturação Tecnológica No Comércio Em Santa Catarina. Florianópolis: Dezembro De 1996.

Rigaudiat, J. Réduire Le Temps De Travail. Paris: Syros, 1993.

Rodrigues Neto, B. De M. Marx. Taylor. Ford. São Paulo: Brasiliense, 1988.

Rodrigues, L. M. Sindicalismo E Sociedade. São Paulo: Difusão Européia Do Livro, 1968.

Rubin, I. Teoria Marxista Do Valor. São Paulo: Brasiliense, 1980.

Rifkin, J. O Fim Dos Empregos. São Paulo: Mackron Books, 1995.

Smith, A. A Riqueza Das Nações. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

Seligmann, E. Desgaste Mental Do Trabalho. São Paulo: Cortez Editora, 1994.

Simão, A. Sindicato E Estado. São Paulo: Dominus, 1966.

SERAFIM LEITE, S.I. Artes e oficios dos jesuítas no Brasil. Lisboa: Brotéria, 1953.

Thompson, E. P. A Formação Da Classe Operária Inglesa. Rio De Janeiro: Paz E Terra, 1987.

Thurot, L. El Futuro Del Capitalismo. Buenos Aires. Javier Vergara Editores, 1996.

TRIPIER, P. De la théologie protestante à sociologie du travail:archéologie des travaux de Hugues et de la "Seconde École de Chicago" In : Travail et emploi n° 752/1998.

THOMAS, W. I. e ZNANIECKI, F. Le paysan polonais en Europe et en Amérique. Récit de vie d’un migrant. Paris: Nathan, 1998.