Programa de Pós-graduação em Sociologia Política
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Universidade Federal de Santa Catarina
DISCIPLINA: SPO - 5008 - SOCIOLOGIA AMBIENTAL
Semestre 2005.2
Profa.
Dra Julia S. Guivant
juguivant@uol.com.br
sala 306 (CFH-prédio novo)

 

APRESENTAÇÃO

Atualmente as crenças no progresso ilimitado e nos seres humanos como donos da natureza e do planeta -para mencionar só algumas das crenças subjacentes na sociologia clássica- estão em franco declínio. Nas últimas duas décadas este processo está revertendo-se e um novo paradigma científico está sendo construído nas ciências sociais. Os inícios mais claros da Sociologia Ambiental podem ser identificados no final dos anos 60 e começo dos 70, quando passaram a intensificar-se os debates ambientais nas sociedades industrializadas. Até o final dos anos 80, grande parte da produção acadêmica centrou-se em estudos empíricos sobre atitudes em relação ao meio ambiente assim como sobre o papel dos movimentos ambientalistas. A partir dos anos 90 observa-se uma transformação nos enfoques dentro da sociologia ambiental, produto de uma interinfluência intensa com a teoria social. Isto manifesta-se, por um lado, com maiores debates teóricos dentro da subdisciplina, e pelo outro lado, com uma maior centralidade desta área dentro da teoria social contemporânea, como nos trabalhos de Ulrich Beck e Anthony Giddens. Desta maneira, a década de 90 implicou um significativo crescimento da sociologia ambiental, com um maior desenvolvimento  -em termos da diversidade de pesquisas e do reconhecimento científico- na comunidade acadêmica. 

A Sociologia Ambiental parte 1) do questionamento das correntes principais da Sociologia, pela sua negligência de considerar o meio ambiente como um fator chave para entender os fenômenos centrais das sociedades da modernidade e da alta modernidade, e 2) de considerar como um dos seus eixos centrais o papel dos fatores físicos e biológicos nas relações sociais, assim como ao impacto destas, das organizações sociais e dos processos de transformação social no meio ambiente.

Entre os pressupostos assumidos pela sociologia ambiental contam-se os seguintes: 1) os processos sociais devem ser estudados no contexto maior da biosfera; 2) as práticas humanas deliberadas, afetando o meio ambiente, têm provocado efeitos negativos não previstos e 3) os recursos naturais do planeta são finitos e sujeitos a sérias degradações, sendo necessário que os objetivos de crescimento econômico e de bem-estar dos seres humanos considerem estes limites

Nesta disciplina daremos um destaque ao estudo de como são socialmente construídas as relações entre a sociedade e o ambiente natural e como são definidas algumas questões como “problemas ambientais”. Isto envolve focalizar em especial como são construídos os conflitos ambientais, particularmente envolvendo diferentes percepções sobre sociedade, natureza, etc. por atores sociais leigos e peritos. 

 

PROGRAMA

1a aula (8/8)

Apresentação objetivos do curso

 

2da aula (15/8)

Introdução as diversas teorias dentro da sociologia ambiental I

Hannigan, John (1995),Sociologia ambiental. A formação de uma perspectiva social.Lisboa: Instituto Piaget. Caps.1, 2 e 10.

 

3ra aula (22/8)

Introdução as diversas teorias dentro da sociologia ambiental II

Buttel, Frederick (2000), Sociologia ambiental, qualidade ambiental e qualidade de vida: algumas observações teóricas. In Herculano, S. et al. (orgs), Qualidade de vida e riscos ambientais. Niterói: EdUFF.

 

4ta aula  (29/8)

As relações entre sociologia ambiental e teoria social I

Beck, Ulrich (1995), A reinvenção da política. In Giddens, A. ; Beck, U. e Lasch, Scott, Modernização reflexiva. Política, tradição e estética na ordem social moderna. São Paulo: Editora da Unesp. Pp. 11-71.

Guivant, J. (1998), Trajetórias das analises de risco. BIB/ANPOCS.

 

5ta aula (19/9)

As relações entre sociologia ambiental e teoria social II

Giddens, Anthony (1995), A vida em uma sociedade pós-tradicional. In Giddens, A. ; Beck, U. e Lasch, Scott, Modernização reflexiva. Política, tradição e estética na ordem social moderna. São Paulo: Editora da Unesp. Págs 73-133.

Giddens, A. (1993), As consequências da modernidade. São Paulo: Editora da UNESP.

 

6ta aula (19/9)

A teoria da modernização ecológica

Mol, A. e Gert Spaargaren (2005), Para uma sociologia dos fluxos ambientais.Uma nova agenda para a sociologia ambiental do século 21. Revista Política e Sociedade.

 

7a aula (26/9)

A ciência na sociedade de risco

Hannigan, John (1995),Sociologia ambiental. A formação de uma perspectiva social.Lisboa: Instituto Piaget. Caps. 4,5 e 6.

Irwin, Alain (2001) Sociology and the environment. A critical introduction to society, nature and knowledge. Londres: Polity Press. Cap 3.

 

8ª aula (3/10)

Relações natureza e sociedade

Szerszynski, Bronislaw, Lash, Scott e Wynne, Brian (1996) Ecology, realism and the social sciences. In S. Lash, B.Szerszynski e B.Wynne (eds.) Risk, environment and modernity. London: Sage Publications.

Irwin, Alain (2001) Sociology and the environment. A critical introduction to society, nature and knowledge. Londres: Polity Press. Cap 7.

 

9ª aula (24/10)

Meio ambiente e transformações tecnológicas: elementos de uma agenda para a sociologia ambiental

Clark, Judy e Lowe, Philip (1992), Cleaning up agriculture: environment, technology and social sciences. In Sociologia Ruralis, vol.XXX (1): págs. 11-29.

Irwin, Alain (2001) Sociology and the environment. A critical introduction to society, nature and knowledge. Londres: Polity Press. Cap 6.

 

10ª aula (31/11)

A governança dos problemas ambientais

Irwin, Alain (2001) Sociology and the environment. A critical introduction to society, nature and knowledge. Londres: Polity Press. Cap. 5

 

11ª aula (7/11)

Conflitos ambientais I

Hannigan, John (1995),Sociologia ambiental. A formação de uma perspectiva social.Lisboa: Instituto Piaget. Caps. 7 e 8

 

12ª aula (14/11)

Conflitos ambientais II

Lowe et al, (1996), Officials, advisors and farmers: the local construction of agricultural pollution and its regulation. (texto da professora)

Guivant, J. (1994) “Percepção dos olericultores da Grande Florianópolis (SC) sobre os riscos decorrentes do uso de agrotóxicos", Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, Fundacentro. São Paulo, vol. 22, Pp. 47-57.

Guivant, Julia e Miranda Claudio (1999), “As duas caras de Jano: agroindústrias e agricultura familiar diante da questão ambiental”, Cadernos de Ciência e Tecnologia, EMBRAPA.  Vol.16, n.3, set/dez. Pp.85-128.(disponível por email)

 

13ª aula (21/11)

Consumo e meio ambiente

Beardsworth, Alan e Keil, Teresa (1997), Sociology on the Menu. An invitation to the study of food and society. Londres: Routledge. Capitulo 6 e 8.

Guivant, Julia (2000), "Reflexividade na sociedade de risco: os agrotóxicos nos alimentos", in Herculano, Selene (Org.), Qualidade de vida e riscos ambientais. Niteroi: Editora da UFF. (disponível por email)

Lockie, S. (2002) The Invisible Mouth’: Mobilizing ‘the Consumer’ in Food Production-Consumption Networks. Sociologia Ruralis. (Disponível em email)

 

14ª. aula (28/11)

Responsabilidade ambiental

Hawken, P. Lovins, A. e L. Hunter Lovins (2002). Capitalismo Natural. Criando a próxima revolução industrial. Ed. Cultrix. Caps. 13,14,15.

 

15ª aula 5/12

Avaliação final

METODOLOGIA

A metodologia do curso prevê aulas divididas em seminários, a cargo de 1 aluno (a), apresentação expositiva da professora e participação no debate de todos os alunos, que devem ler os textos obrigatórios. Os alunos deverão complementar as atividades de aula com pesquisa sobre os temas discutidos na internet, jornais e revistas e participar no grupo criado na Internet.

AVALIAÇÃO

A avaliação será realizada com base nos seguintes critérios:

  1. apresentação de seminários e comentários (30%);
  2. participação nas discussões (30%);
  3. entrega de trabalho final, consistindo numa análise de um ou mais dos autores estudados, incluindo-se parte da bibliografia recomendada (40%).